Detalhes da Orientação

Residência Tecnológica no Judiciário: Um Relato de Experiência em Transformação Digital

Graduação em Ciência da Computação

GraduaçãoFinalizado2026

Discente(s):
Luiz Felipe Moreira dos AnjosLuiz Felipe Moreira dos Anjos
Orientador
Julio Cezar Costa FurtadoJulio Cezar Costa Furtado
Resumo:

A transformação digital do Poder Judiciário brasileiro, impulsionada pela agenda Justiça 4.0 do Conselho Nacional de Justiça, confronta os tribunais com um desafio estrutural, o déficit persistente de profissionais especializados em Tecnologia da Informação e Comunicação no setor público. Nesse contexto, a residência tecnológica emerge como alternativa ao modelo clássico de terceirização, ao combinar formação acadêmica imersiva com a produção de soluções digitais em ambiente institucional real. Este trabalho analisou a experiência da Residência Tecnológica TJAP-UNIFAP, parceria entre o Tribunal de Justiça do Estado do Amapá e a Universidade Federal do Amapá, instituída em 2024, a partir de dois ângulos complementares, a perspectiva formativa dos discentes residentes e a perspectiva institucional dos servidores que com eles interagem diretamente. Adotou-se desenho de estudo de caso com métodos mistos convergentes, articulando questionários em escala Likert, análise temática reflexiva dos relatos de experiência dos residentes e análise de conteúdo das respostas abertas dos servidores. Os achados, lidos à luz dos referenciais de aprendizagem situada, cognitive apprenticeship, phronesis e capacidade estatal multidimensional, indicam avaliação amplamente positiva por ambos os grupos, com a residência operando, na ótica dos discentes, como ambiente de aprendizagem situada em contexto institucional autêntico e, na ótica dos servidores, como aporte efetivo de capacidade técnica e de cooperação interinstitucional. A leitura cruzada das duas perspectivas evidencia convergências quanto ao reconhecimento do aporte técnico e da aproximação entre universidade e Poder Judiciário, complementaridades entre o mecanismo formativo e o resultado institucional percebido, e tensões convergentes relativas à sustentabilidade, ao vínculo dos residentes e à escala do programa. Conclui-se que a residência tecnológica universidade-tribunal opera como mecanismo híbrido de fortalecimento de capacidade estatal, cuja principal vulnerabilidade não reside na qualidade do que produz, e sim nas condições estruturais que asseguram sua continuidade.

Palavras-chave:
Residência tecnológicaTransformação digitalPoder judiciárioAprendizagem situadaCapacidade estatalCiência da Computação

Materiais